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Em uma das minhas muitas incursões por bibliotecas de Museus e Fundações da cidade de São Paulo, a fim de pesquisar material autoral do artista e professor espanhol Julio Plaza, na última semana encontrei o que pode ser considerado um tesouro, na biblioteca do MAM.

São revistas de arte brasileiras das décadas de 60, 70 e 80. Como Arte Hoje, Malasartes, Revista do Brasil, entre outras.

Daqui pra frente o blog receberá uma série de reproduções dessas matérias de alto nível! Que poucas, ou nenhuma publicação atual conseguiu atingir.

Começo então, com a matéria de Olívio Tavares de Araujo, publicada na revista Arte Hoje de julho, de 1978. O jornalista foi passar uma tarde inteira com o mestre Alfredo Volpi. E obteve a dádiva de conferir de perto o trabalho do começo ao fim de uma tela do artista. As fotos são de outro sortudo, o fotógrafo Rômulo Fialdini.

Revista Arte Hoje. Julho de 1978. Ano nº2 - nº13


Lembro-me sempre com prazer da sua pronta e quase escandalizada reação quando, em abril de 1976 (ele completava 80 anos), lhe perguntaram se não pensava em descansar. “Parar de pintar? Onde você está com a cabeça? Trabalho é vida, ‘ostia’! quem está velho e cansado é que pára de trabalhar. Eu sou jovem”.
(…)
Mas seu emprenho aflora límpido, espontâneo, sem dissonâncias: saber pintar, e fazê-lo com amor não lhe parecem mais que sua obrigação como artista. A postura não é purista ou acadêmica, nem deriva de qualquer discussão teórica sobre perenidade da arte. Resulta apenas de um passado operário, já tantas vezes lembrado como uma das chaves-mestres para compreensão de Volpi em sua totalidade. Ao longo de quase setenta anos de criação, ele nunca perdeu a consciência de oficio obtida na década de 20, quando era pintor-decorador de paredes, sob a chefia de mestres-de-obras. (…)
E o fato de só praticamente aos 50 anos ter começado a viver com a venda de telas contribuiu para que soubesse ver a dignidade de sua sóbria humildade profissão inicial.
(…)
Da esqueda para a direita: A Madeira é marcada para ser serrada. Serrando as ripas para fazer o chissi. Furos são feitos para montar o chassi

Por isso, suas obras não resultam de uma luta penosa e inglória. Ele mesmo o reconhece, ao dizer que não existem quadros mais difíceis ou mais fáceis: “É tudo a mesma coisa: é um problema de ‘pintura’”. O que não implica, tampouco, que o problema esteja sempre automaticamente resolvido. Às vezes, uma variável escapa ao controle, e o quadro empaca. Pois bem. Se a tela não permite nenhuma correção, Volpi não hesita. Mete-a de molho no tanque, e deixa e deixa que a água desprenda as camadas da pintura.
(…)

Nos primeiros vinte e tantos anos, sua pintura erudita usou óleo, sobre madeira, tela ou cartão. No decorrer da década de 40, substituiu-o pela têmpera de ovo, uma técnica antiqüíssima, que lhe permite uma transparência e uma leveza de tratamento praticamente únicas, na arte brasileira.
(…)
Volpi tem hoje 82 anos de idade. (…) Mas a verdade é que continua um aplicado artesão. O fiel grupo de “volpimaníacos” que sempre freqüenta a sua casa está acostumado a vê-lo de martelo, furadeira ou serrinha na mão, fabricando um chassi ou emoldurando uma tela com uma ripinha delicada (única moldura que seu senso de medida admite).
(…)


Volpi começa por não utilizar telas comercialmente disponíveis. Ele mesmo as faz em casa, encomendando sarrafos de pinho nos tamanhos desejados, e armando os chassis. A tela propriamente dita é de linho (“o algodão afrouxa fácil”), compradas em rolos de muitos metros. Depois de esticada com grampeador – que substituiu há pouco tempo as tachinhas –, é necessário prepará-las. Em camadas sucessivas, que podem chegar a sete ou oito, Volpi aplica uma mistura líquida de gelatina comum e carbono de cálcio. Antigamente, os ingredientes eram outros: em lugar de gelatina, uma cola feita de pele de coelho, importada de Paris, e gesso, ao invés do carbonato. Mas a cola já não se consegue obter – talvez nem a fabriquem – e o gesso “anda de má qualidade: amarela logo”. A dosagem é feita a olho, e a superfície resultante assegurará permanência a têmpera (o mesmo processo de preparação era aplicado na Idade Média à madeira), bem como os efeitos translúcidos que o pintor deseja obter.
(…)

Há ainda duas tarefas que antecedem a pintura: uma, obrigatória, outra, fruto do prazer de Volpi em produzir seus próprios meios. Obrigatória é a preparação do solvente, em quantidades razoáveis, guardadas todas as tardes na geladeira, quando a luz do dia diminui e Volpi dá por encerrada a sua jornada de trabalho. O nome têmpera a ovo nada tem a ver de metafórico: o solvente compõe-se de ovo de galinha, água e um verniz especial, feito a partir de resina Damar, umas pedrinhas que se parecem com breu ou goma-arábica. (…) Para conservar melhor o amarelado líquido obtido, obviamente perceptível, Volpi adiciona uma essência, óleo de cravo, na quantidade mínima de quatro ou cinco gotas.
(…)
O ato de pintar é finalmente precedido de um desenho na tela, a carvão. Às vezes Volpi usa régua, mas não forçosamente: “fazer uma reta à mão livre não custa nada”.
(…)


E chega o momento da pintura. Um momento harmônico, distenso, pausado, que se reflete perceptivelmente na pincelada típica de Volpi, texturada, quase volumosa. (…) Ver Volpi trabalhar é, no mínimo, um prazer. Ele faz metodicamente, em paz consigo e com o mundo, numa aplicação absoluta. Os pigmentos em pó vão sendo postos sobre uma mesinha ao lado do valete, com o auxílio de uma espátula, na quantidade e à medida que se tornam necessárias. É rara a presença de dois pigmentos simultâneos: Volpi trabalha por seções, e preenche primeiro todas as superfícies de determinada cor. De tempos em tempos, agita o vidrinho cor-de-creme e põe em um receptáculo aberto mais um pouco de solvente. Quase inevitavelmente, conserva um cigarro de palha nos lábios, e costuma por óculos. Não gostaria de ser interrompido, mas hoje em dia isso acontece com freqüência: é o preço que se paga pela glória. Nesses momentos, não perde a bonomia: não senso um inspirado, pode retomar facilmente o trabalho, no mesmo ponto onde o deixou, e com a mesma naturalidade de um pintor de paredes ou um ourives.
(…)

Pronta a obra, Volpi assina, sempre atrás, para não interferir na pintura (é uma lição aprendida nos tempos do Concretismo), e depois emoldura. A moldura possui a função definida de descartar o plano da tela sobre o plano da parede ou painel em, que ele é colocada. Não passa de uma ripa, com 4 a 6mm de espessura, conforme o tamanho da obra. (…) E com a moldura encerra-se o ciclo. Daí para frente, o problema do artista será… esconder a tela, até que seu proprietário vá buscá-la. Toda a produção de Volpi hoje está antecipadamente encomendada, e para evitar negativas encomendas ele nunca deixa a vista os quadros terminados. Não deixa de ser, também, uma forma de se manter em perpétuo movimento criador. No atelier já apenas telas brancas, sempre à espera. Um desafio para que sejam trabalhadas.
(…)


Na mesma visita em que anotei os dados técnicos registrados neste artigo, entretanto, o mestre deixou escapar um comentário que me deliciou, por seu lado quase sensualmente afetivo. Sempre percebi que o ateliê de Volpi possui um cheiro inconfundível, onde a terebintina se mistura a fumaça de seus cigarros de palha. E o mesmo ocorre com suas telas, quando recentes. Sempre atribui seu odor adocicado e saborozo ao verniz – e nunca me passou pela cabeça que o próprio Volpi dele tivesse consciência. Quando falávamos de seus solvente, no entanto, ele me explicava a função preservadora do óleo de cravo, seu olhar vivo brilhou por um instante. Com um quase-sorriso, o mais incensado, valorizado e importante pintor vivo do país falou-me em voz baixa, como se revelasse uma travessura infantil. Não creio que se posso encontrar exemplo mais eloqüente de amor à criação. “Pois é”, concedeu ele. “E, além disso, o óleo de cravo é que dá aquele cheirinho bom à tela. Pena que com o tempo ela desaparece”.

Tarsilinha

 

Na edição de novembro da Revista Bravo!, na seção Primeira Fila, me deparei com uma matéria sobre o “Peixonauta”, um personagem criado pela produtora TV Pinguim. O divertido peixinho embala as crianças de segunda a sexta no canal a cabo Discovery Kids, e é um sucesso!

Mas o que interessa mesmo é o próximo projeto da produtora, que começará a ser produzido a partir de 2010. O filme Tarsilinha, ainda sem data de lançamento, vai contar a história de uma garotinha de 7 anos, que vive num mundo onde o cenário é baseado nas obras de Tarsila do Amaral, grande ícone da pintura brasileira, além de referência mundial do movimento modernista.

A animação terá 75 minutos. E a imagem acima é um estudo de cena, onde Tarsilinha, sentada no galho de uma árvore do quadro O Lago, de 1928, saboreia alegremente uma das frutinhas que também fazem parte do quadro – cenário.

Achei inspirador!


Planeta Terra

A imagem, que abre esse post, é um quadrilátero do encarte/mapa do festival Planeta Terra, que aconteceu em São Paulo, neste último sábado, dia 07 de novembro, no Play Center.

Pois, então, vou contar como começou o meu festival. Senta que lá vem a história…

“Boa noite”, diz o segurança.

“Oi, tudo bem?”, apresento o meu ingresso.

“Moça, você não pode entrar com a garrafa de água. O ingresso você entrega lá na frente”, ele responde.

“Ok, onde eu jogo a garrafa?”, pergunto.

“No chão”, responde o segurança.

“Hã?”, quê, cuma?

“É, joga ai mesmo, ó”, responde o segurança como quem diz: vai logo, minha filha!

O chão estava repleto de lixo!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Para seguir em frente, tive que desviar de um amontoado de garrafas, copos e latinhas no chão.

Dentro do estacionamento do Play Center, onde estava instalado o palco principal, que recebeu Macaco Bong, Móveis Coloniais de Acaju, Maxïmo Park, Primal Scream, Sonic Youth e Iggy Pop & The Stooges. Não possuia um latão de lixo!!! Nem em pontos estratégicos, nem perto dos bares. É mole?

É certo que, no intervalo de um show e outro, uma equipe de lixeiros passava catando os detritos jogados no chão. Com um detalhe, nenhum deles usava luvas. Já imaginou?

Bom, fora esse deslize de falso moralista do festival, o Planeta Terra foi IN-CRÍ-VEL!

Consegui ver tudo o que queria!

A banda Primal Scream, que eu só conhecia de nome, me surpreendeu! Gostei mesmo do show, apesar de eles terem tido sérios problemas com o som.

E, por fim, matei, literalmente, dois coelhos numa tacada só. Pois, entre as bandas em que fiquei viciada nesse ano de 2009, estava o Sonic Youth! Que tocou com vontade e responsabilidade no festival! Uhuuuuuu!

No caso do Iggy, era um sonho ver o show dele, pois, tinha quase certeza de que ele infartaria antes de uma próxima oportunidade de vê-lo no palco. O resultado é que fiquei extasiada, e já me candidatei a groupie! rs

NET ART

is it spam?

 

 

noooo… is it a commercial?



noooo… it’s net art!

 

 

Alguém já ouviu falar de “net art”?

Pessoal, peço encarecidamente que comentem esse post com um simples “sim”, ou “não”.

Por que apesar dessa discussão já existir há mais de dez anos, e os artistas Dirk Paesmans e Joan Heemskerk, criadores do jodi.org, um tipo de supra sumo da “net art” (falo dele abaixo). Já terem exposto esse trabalho na edição de 1997 da Documenta de Kassel, as pessoas não costumam comentar que visitaram uma exposição de arte feita na internet ou com a internet…

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O belga Dirk Paesmans e o suíço Joan Heemskerk são os responsáveis pela criação do projeto “Jodi.org”, apresentado como instalação na Documenta de Kassel de 1997.

A obra é uma das primeiras atividades responsáveis por abrir a discussão sobre “net art”, ou seja, obra criada através de instrumentos da internet e hospedada temporariamente ou não na rede.

O site, que ainda pode ser conferido online, é algo alucinógeno. Um conglomerado de informações, que hospeda alguns sites esquisitos.

Com a aparência de mal finalizado, e feito por alguém que entende muito pouco de websites, é possível passar horas investigando o que o Jodi tem a oferecer.

Para entender realmente a excelencia da coisa, é necessário acessar o Jodi.org várias vezes, pois cada vez ele abre uma página diferente.


Boa Sorte!

www.jodi.org


Banksy

O grafiteiro londrino Banksy terá um mural seu, instalado no muro de um bairro ao sul de Londres, preservado segundo a vontade de 93% dos 250 moradores que participaram da votação proposta pelo “Sutton Council”.

O mural, que já havia sido coberto por outros grafitis, revela um punk com cabelo espetado que tenta montar o slogan de uma caixa estilo “Ieak”, e foi feito no segundo semestre deste ano.

Conselhos gerais como o Sutton Council não costuma ter uma política de tolerância com grafites e grafiteiros. Para tanto, o Conselheiro Colin Hall revela numa entrevista a BBC, de forma curta e grossa, a seguinte declaração: “We believe in democracy and wanted local people to decide what should happen to the Banksy. Sadly someone decided to take it into their own hands.” E mais: “The image actually criticized mindless graffiti so perhaps it isn’t surprising that the sort of people who do that sort of thing should attack it.”

Idiotas como Collin Hall à parte… Ficamos com mais BANKSY!

 

 

 

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E algumas imagens que retirei do livro “BANKSY: Wall and Piece”

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Agradecimentos mais do que especiais ao Rodrigo Tucano, que me presenteou com o livro!

LEONILSON

Em exposição na Galeria Luisa Strina até o dia 11 de novembro, uma retrospectiva de desenhos do artista Leonilson, ou o Jovem Leonilson. Artista natural de Fortaleza que despontou como grande talento na década de 80 e tornou-se um símbolo da arte existencialista e autobiográfica.

A obra de Leonilson é uma nítida extensão de suas próprias verdades, carregadas de fortes referências biográficas. Textos e palavras que juntas revelam poesias estão presentes desde os primeiros trabalhos.

Com pinturas, ilustrações e gravuras feitas em blocos de papel cartão, o artista vaga por telas de guache multicoloridas, colagens e o uso de tecido levemente costurado que evocam um sentimento profundo aquém da despretensão.

Leonilson usa o texto como um fator que leva o expectador a analisar mais demoradamente a obra, pois, as letras instigam instantaneamente a curiosidade, a necessidade da leitura. E diante de versos simples, que divagam entre o cotidiano de um homem comum, é impossível não se identificar.

A minha experiência pessoal foi mais do que meramente “visitar a exposição de um grande artista”. Leonilson conseguiu descrever em arte e poesia algo que sinto constantemente: “10h40: É como nunca estar no lugar certo”. É assim que eu me sinto, quase todos os dias, nesse horário.

Deixo vocês com mais ARTE e POESIA do JOVEM LEONILSON

Poesia Leo

Poesia Leo1

Poesia Leo2

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LEONILSON4

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KAFKA DE CRUMB

Crumb - Kafka

Entre as coisas interessantes, que encontrei recentemente na estante da casa de um amigo, está a adaptação que o ilustrador americano Robert Crumb, conhecido por estabelecer o gênero de quadrinhos underground, e fundar o gibi “Zap Comix”, fez da vida e da obra do escritor russo Franz Kafka.

O livro, de pouco mais de 170 páginas, publicado pela Editora Relume Dumará, com textos de David Zane Mairowitz, é um compilado das principais obras de Kafka ilustradas por Crumb.

A primeira página do livro começa com um tom de tragicomédia, já que Kafka, além de escrever clássicos como Metamorfose, A Toca, O Processo, O Castelo, entre outros, também imaginou inúmeros métodos “cuidadosamente elaborados”, de sua própria morte.

Abaixo, algumas delas… Espero que  o post não sirva como fonte de inspiração!

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E aqui, as primeiras páginas de Metamorfose, traduzidas através da arte de Crumb

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Agradecimentos mais do que especiais à estante de livros do Ander! Grande ilustrador! Vale a pena conferir no http://www.flickr.com/photos/hydrogen_bomb/

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